Associados Previ Associados Previ
Ameaças externasNotícias

Anapar critica proposta do Ministério da Fazenda para marcação a mercado

26 de junho de 20245 de julho de 2024
Anapar critica proposta do Ministério da Fazenda para marcação a mercado

Em nota assinada em parceria com outras entidades representativas do sistema de previdência complementar, a Anapar (Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão e de Beneficiários de Saúde de Autogestão) criticou a proposta do Ministério da Fazenda (MF) que pretende modificar as regras vigentes para a marcação de ativos e passivos previdenciários a mercado.

Assim como os dirigentes eleitos da Previ, a Anapar considera urgente alterar as regras atuais de marcação a mercado, que prejudicam os fundos de pensão e os associados, mas vê muitos equívocos na proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda.

Confira abaixo os questionamentos da Anapar, em documento assinado em parceria com a Abrapp (Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar) e Apep (Associação dos Fundos de Pensão e Patrocinadores do Setor Privado).

A Solidez das Normas Vigentes – As regras atuais não surgiram por acaso ou erro conceitual. Elas são o resultado de anos de discussão e refinamento envolvendo profissionais da sociedade civil e do governo, abrangendo diversas disciplinas como atuária, economia, contabilidade e direito. Essas normas foram estabelecidas após uma série de tentativas malsucedidas e arbitrárias de alteração das regras de solvência e precificação de ativos e passivos. Portanto, qualquer mudança significativa deve passar por um processo semelhante de rigor e abrangência.

Falhas na Evidência Empírica – A proposta do MF fundamenta-se em uma comparação com os fundos públicos americanos, que, segundo o estudo, se tornaram mais propensos a riscos e apresentaram desempenho inferior a seus pares privados. Contudo, a realidade brasileira é distinta. A regulamentação brasileira limita o incentivo à tomada de risco excessivo ao estabelecer um teto para a taxa atuarial, que é a média da Estrutura a Termo de Taxas de Juros (ETTJ) de cinco anos mais 0,4%. Essa limitação não é considerada nos estudos baseados em regras internacionais, gerando conclusões que não se aplicam ao contexto brasileiro.

Incentivos e o “Túnel” – As normas vigentes para a formação da taxa de desconto do passivo incorporam vários conceitos, incluindo a rentabilidade projetada da carteira dentro de um intervalo legal. A proposta do MF parece não compreender os incentivos gerados pelas regras atuais, que devem ser avaliadas em conjunto com a precificação de ativos e passivos, regras de solvência e ajuste de precificação de títulos públicos federais. Contrariamente ao que sugere o estudo do MF, as regras vigentes não “escamoteiam” a solvência, mas sim criam incentivos corretos e anticíclicos. A compra de títulos em momentos de crise é incentivada, permitindo aos fundos de pensão atuarem como agentes estabilizadores do mercado.

Uso Inadequado da Marcação a Mercado (MtM) – O dogma da marcação a mercado, embora legítimo em certos contextos, pode ser inadequado para ativos e passivos previdenciários de longo prazo. A marcação a mercado é adequada para evitar transferências de riqueza entre cotistas em fundos abertos com liquidez, mas sua aplicação a planos de benefício definido (BD) pode agravar crises e distorcer preços de mercado. A volatilidade introduzida pela MtM pode comprometer a viabilidade e estabilidade dos planos de previdência.

Riscos de Volatilidade e Pró-Ciclicidade – O uso de taxas de mercado pode gerar volatilidade excessiva nos níveis de solvência e contribuição dos planos previdenciários. Segundo Juan Yermo, da OCDE, a alta volatilidade dos preços de mercado, especialmente para papéis de longo prazo, não se justifica economicamente e pode interferir nas avaliações dos planos.

Além disso, a marcação a mercado pode produzir efeitos pró-cíclicos, incentivando movimentos de curto prazo nas carteiras de investimentos e agravando crises econômicas. Vários países que introduziram a marcação a mercado em ativos e passivos previdenciários tiveram uma modificação de perfil da carteira de investimentos, que se tornou mais curtoprazista, interferindo, inclusive, na dinâmica e nas taxas do próprio mercado, gerando um efeito prócíclico, agravando a crise que pretendia reduzir. A volatilidade do passivo trará outras consequências, por exemplo: a) volatilidade nos planos de custeio; b) volatilidade na concessão dos benefícios (planos CV).

A Suavização como Alternativa – Muitos países utilizam técnicas de suavização (smoothing) para mitigar os efeitos da volatilidade dos mercados nos níveis de contribuição. Nos Estados Unidos e Japão, por exemplo, as taxas de desconto suavizadas são usadas para abrandar os efeitos da volatilidade. A atual regulação brasileira já incorpora elementos que incentivam a alocação em ativos correlacionados ao passivo, como os NTN-Bs, e mantém menor volatilidade no índice de solvência.

Conclusão – A proposta do MF, ao introduzir a marcação a mercado para ativos e passivos previdenciários, pode trazer volatilidade indesejada e comprometer a estabilidade dos planos. É possível alcançar os objetivos da proposta com ajustes pontuais na norma vigente, sem impor volatilidade adicional aos passivos e ativos e sem obrigar os planos a adotar uma gestão de risco zero. A decisão sobre a gestão de risco deve permanecer com os participantes, assistidos e patrocinadores dos planos, representados pela gestão da Entidade Fechada de Previdência Complementar (EFPC), sob pena de gerar insegurança e descrédito dos trabalhadores participantes das entidades fechadas de previdência complementar.

(Com informações da Anapar)

0 Share
FacebookTwitterlinkedinPinterestRedditStumbleuponTumblr
AnaparLegislação previdenciáriaprevidência complementar
Prev Post

Diretores eleitos participam do Previ Day para debater o cenário econômico mundial

Next Post

Previ e demais fundos de pensão se mobilizam para barrar projetos que aumentam tributação

More posts

Previ 122 anos, uma das maiores conquistas dos funcionários do Banco do Brasil
DestaqueHistória

Previ 122 anos, uma das maiores conquistas dos funcionários do Banco do Brasil

16 de abril de 202616 de abril de 2026
Eleição na Previ começa nesta segunda 13; veja a live e confira as propostas da Chapa 2
EleiçãoNotícias

Eleição na Previ começa nesta segunda 13; veja a live e confira as propostas da Chapa 2

9 de abril de 202616 de abril de 2026
Dirigentes eleitos apoiam a ‘Chapa 2 – Previ para os Associados’ na eleição de 13 a 27 de abril
EleiçãoNotícias

Dirigentes eleitos apoiam a ‘Chapa 2 – Previ para os Associados’ na eleição de 13 a 27 de abril

30 de março de 20269 de abril de 2026

Leave a Reply Cancel Reply

You must be logged in to post a comment.


Últimas Notícias

  • Previ 122 anos, uma das maiores conquistas dos funcionários do Banco do Brasil
  • Eleição na Previ começa nesta segunda 13; veja a live e confira as propostas da Chapa 2
  • Dirigentes eleitos apoiam a ‘Chapa 2 – Previ para os Associados’ na eleição de 13 a 27 de abril
  • Eleições na Cassi terminam nesta segunda 23; eleitos da Previ apoiam as chapas 2 e 55
  • Previ ultrapassa R$ 300 bi em ativos com ótimos resultados do Plano 1, do Previ Futuro e do Previ Família em 2025

Escolha seu assunto

Nossos dirigentes eleitos

Diretoria
Associados Previ Associados Previ
  • Página Inicial
  • Quem somos
  • Contato
Política de privacidade / Associados Previ © 2020 / Todos os direitos reservados